"Recuperação da economia se inicia no segundo semestre"
Flávio Castelo Branco na FIESC (Foto: Guilherme Ternes)
Florianópolis, 30 de janeiro de 2009 - Para o gerente executivo de política econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, o momento mais crítico da crise econômica para o Brasil é o de transição entre o final de 2008 e o primeiro trimestre de 2009. Em palestra realizada na Federação das Indústrias (FIESC), nesta sexta-feira, o economista disse que as estatísticas como as de emprego para os meses de janeiro e fevereiro ainda devem mostrar dificuldades, mas parte dos setores iniciarão a recuperação entre o segundo e o terceiro trimestre de 2009.
"Segmentos mais dependentes da economia mundial, como os ligados a commodities minerais, ou produtos como siderurgia, papel e celulose tendem a sentir mais a crise. Os mais dependentes de crédito, como o automotivo, também. Mas aqueles setores mais voltados ao mercado doméstico já devem apresentar melhoria entre o segundo e o terceiro trimestre. Por isso, espero que, na média, a retomada da economia inicie no segundo semestre", disse Castelo Branco. Embora hoje a conjuntura não esteja favorável, ele ressalta que o Brasil deve ter um período mais curto de dificuldades do que as economias de países como os Estados Unidos ou os europeus.
O presidente em exercício da FIESC, Glauco José Côrte, lembrou que, embora o Índice de Confiança do Empresário Industrial da FIESC esteja no nível mais baixo de sua série histórica, a avaliação negativa se refere principalmente ao cenário atual. "As expectativas dos industriais quanto às condições futuras da economia são mais favoráveis e isso é importante para a retomada", disse.
O diretor-primeiro secretário da FIESC, Vicente Donini, chamou atenção para a necessidade de os empresários estarem atentos ao cenário econômico, mas salientou que não se deve deixar o pessimismo agravar ainda mais a situação. "Não podemos ser os discípulos da crise. Embora os empresários relatem sua apreensão, praticamente todos eles dizem que a situação de suas empresas e negócios está melhor do que o retratado pelo noticiário", afirmou. "Não podemos perder a confiança, especialmente no mercado interno", acrescentou.
Castelo Branco e diversos dos industriais presentes na FIESC ressaltaram a importância de retomar a agenda paralisada das reformas, como a tributária, a política, a trabalhista e de regulação. Para eles, isso é fundamental para que o País possa ser competitivo na retomada do crescimento da economia mundial, após a crise.
Fonte: FIESC
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